A graça de mudar de posição

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Há alguns anos atrás eu ouvi falar sobre a TMI (Teologia da Missão Integral). Eu a achava fascinante, revolucionária, e me lembro de pensar: “É isso! É disso que precisamos para mudar a realidade da igreja e a realidade ao nosso redor!”
Devorei livros e mais livros sobre o assunto, dei oficinas sobre o tema, persuadi todos que podia à se tornarem adeptos da visão e procurava avidamente ouvir proponentes dessa aproximação missiológica. Entre esses proponentes, estava Ariovaldo Ramos.

Na época lembro-me de assistir à tudo, literalmente tudo, que ele, o Ariovaldo, postava. Lia tudo que ele escrevia. Compartilhava tudo também. Só faltava ir até a casa dos outros no sábado pela manhã, tocar a campainha e dizer: “O(a) senhor(a) tem um tempo para ouvir a palavra do nosso senhor Ariovaldo Ramos?” Se bem que, pensando melhor, acho que fiz isso algumas vezes.
Fato é que não gastava tempo com mais nada. Eu o admirava. Com sua habilidade retórica, arrebatava seus ouvintes – e eu estava entre esses, atônito, sem sequer piscar. Por causa de suas ideias e de minha insensatez juvenil, não poucas vezes, fui insubmisso aos mais velhos e experientes; desrespeitoso para com aqueles que ensinavam algo diferente; e muito, muito arrogante. Achava-me dono da verdade. Estava certo que aqueles que discordavam o faziam porque não conseguiam ver o que estava vendo. Afinal, no auge dos meus vinte e pouquíssimos anos, eu já sabia tudo que precisava saber. Sabia mais do que vários que estudaram durante toda a vida. Ledo engano.

Na verdade, eu é que estava cego. Com o passar dos anos, das noites debruçadas sobre livros, dos joelhos sobre o chão, e dos direcionamentos dos mestres notei o quanto estava equivocado. A visão revolucionária e abrangente da TMI se revelou limitada e com pressupostos duvidosos. Os expoentes, como Ariovaldo, mostraram-se inconsistentes — prática diferente do discurso, da teologia e da bíblia. Dia 6 de abril de 2018, no dia da (suposta) prisão do ex-presidente Lula, lá estava Ariovaldo no na sede do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, em ato de defesa ao condenado.
É, como fui tolo e chato. Tolice até toleramos um pouco, mas chatura, meus amigos, é difícil. Preciso reconhecer, entretanto, que era sincero meu desejo de mudança da realidade. Estava sinceramente equivocado.

Hoje, ao olhar para trás, percebo o quanto Deus foi gracioso comigo. Deu-me pastores pacientes, apesar da minha insolência; bons mestres, apesar do meu déficit de conhecimento e capacidade; livros bíblicos e honestos, apesar da falta de recursos; e me deu a graça de mudar de posição, apesar da minha ignorância. Hoje não subscrevo mais à Teologia da Missão Integral, muito menos sigo homens como Ariovaldo Ramos. Fiquei crítico e desconfiado. Segundo alguns amigos, crítico até demais. Parando para pensar enquanto escrevo isso, talvez ainda seja chato. Algumas coisas infelizmente são difíceis de mudar. Ainda bem que meus amigos são tolerantes. Ufa!
Mas se há algo que aprendi com tudo isso é que só existe um homem que pode arrebatar meu coração com suas palavras. Este homem também é Deus. Este homem é Jesus!

Fica aqui algumas perguntas:
1. Quem tem arrebatado seu coração?
2. Essa pessoa é bíblica? Ela replica o ensino de Cristo, dos apóstolos e da ortodoxia cristã?
3. A vida dessa pessoa é coerente com o que diz?
4. Você se submete humildemente ao ensino dos mais experientes e sábios?
5. Você é tolo e chato? Ou só chato?

Obs.: Se você subscreve a TMI, não quero ofendê-lo(a). Este é um relato pessoal e podemos ser amigos ainda. 🙂 Podemos até conversar sobre o assunto, se quiser. Mas, façamos um acordo prévio: (1) sejamos humildes e tolerantes; (2) tenhamos domínio próprio; (3) nutramos honestidade, “levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10.5). Os frutos dessa conversa serão bons!

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