Parcerias estranhas

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hanshake

“Política e Teologia formam parceiros estranhos”¹, é o que D. A. Carson diz em seu comentário sobre o Evangelho de Mateus, quando argumenta sobre a viabilidade dos Fariseus e Saduceus trabalharem juntos, mesmo com ideias contrastantes. Segundo ele, embora essas duas tradições judaicas tivessem certa inimizade devido suas doutrinas, assentavam-se no mesmo sinédrio para decisões políticas.

Ao ler isso ficou nítido para mim um dos fatores unificadores dessas duas tradições opositoras: um inimigo comum. Esse inimigo, nos primeiros séculos se chamava Jesus. Para liquidar alguém que, supostamente, surgiu do nada e rapidamente ganhou influência, eles deixaram as diferenças teológicas e políticas de lado e deram as mãos. “Crucifica-o!”, poderia ser o moto dessa coligação. Há um ditado que expressa essas situações: “O inimigo do meu inimigo, é meu amigo” (autor desconhecido). As perguntas que ficam, são: até que ponto pode ir a sede humana por poder? Até que ponto as pessoas podem chegar para vencer? Até que ponto nossos grupos, uniões, coligações não são motivadas meramente pelo interesse egoísta? Até que ponto nossos valores são superiores aos nossos interesses? A história de Jesus nos mostra que os valores e a integridade são as primeiras coisas a serem sacrificadas no altar da vitória e medo da derrota.

Isso acontece ainda hoje no quadro político de nosso país, dentro das nossas faculdades e escolas, e, infelizmente, dentro de nossas igrejas. Para falar a verdade, acontece em qualquer lugar. Por medo de perder ou vontade de vencer, muitos abrem mão de seus valores e da sã doutrina. Alguns, usando a desculpa do “inimigo comum” se aliam com pessoas e instituições que defendem posições que outrora combatiam.

A verdade é que a ruína começa quando os valores terminam. Mais honroso é uma derrota íntegra, do que uma vitória moralmente duvidosa. Não nos coliguemos com o duvidoso para uma suposta vitória certa. Que nem os embates políticos, muito menos, os teológicos, nos façam abrir mão da integridade e fidelidade bíblica para alcançar êxito. Afinal, não fomos chamados para fazer sucesso, sim, para sermos fiéis.

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¹ CARSON, D. A.. O Comentário de Mateus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010. p. 30.

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